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21/08/2006 20:20
Minha fênix da semana
Vez ou outra, ocorre comigo um fenômeno interessante. Eu redescubro um álbum ou artista para o qual não havia dado muita importância inicialmente. Mais comum ainda, é redescobrir um álbum que só ouvi uma vez e descartei como pouco interessante.
A bola da vez, ou diria, a vítima da vez é o ábum que colocou Markus Definitivamente no panorama do Progressive Trance: Coldharbour Sessions 2004. Na época do seu lançamento, li várias matérias a respeito deste disco e tentei obtê-lo imediatamente.
Qual não foi minha decepção ao ouvi-lo pela primeira vez, já que, na época, eu estava totalmente empolgado com o Trance mais energético e rápido. Pra ser bem sincero, achei o disco arrastado e enfadonho. Até então, eu gostava de uma ou outra produção no estilo progressive, mas tenho de adimitir que um labum todo assim não me caiu nada bem.
Deixei-o de lado e continuei ouvindo os sons que eu curtia na época.
Hoje, ao re-ouvir, com atenção, Coldharbour Sessions 2004, vejo o quanto eu estava enganado sobre o album. Faltava-me maturidade para entender o som ali contido, as diferentes nuances, o clima. Ou seja, faltava-me capacidade para entender o som de Markus Schulz.
Ironicamente, justamente agora que eu consego apreciar este álbum, Markus opta, em seus sets e em seu programa Global DJ Broadcast, por um som menos dreamy e mais vibrante.
Bom, não podemos acertar todas, sempre?!
O CD1 inicia-se com uma intro ligeira, com samples que parecem transmissões de rádio, para logo passar para a primeira grande faixa do album duplo: Numb de Christian Rusch, conhecido parceiro de Greg Murray nas faixas Epic e The Promise. Com uma bela melodia de piano e uma base percursiva bem simples, a música é simplesmente encantadora.
A terceira faixa é Glistening do Taxi, que nada mais é do que um dos alias da dupla americana Filo & Peri. Totalmente relaxante e envolvente, a música traz várias camadas de sintetizadores e melodias.
A quarta música do CD1 é, sem grandes discussões, um dos melhores trabalhos de Markus como remixer e, a meu ver, é o destaque do album. Satellite, uma colaboração do Above & Beyond com a vocalista Justine Suissa sob o nome de Oceanlab foi uma das músicas de 2004. Mas esta versão, infelizmente, não foi a que mais teve execução pelos DJs nem a que mais esteve presentes nos albuns.
Denso e climático, o remix de Markus utiliza todos os vocais e em seus quase 10 minutos é por vezes sombria e uplifting, principalmente nos breakdowns.
Em seguida, temos a colaboração de dois pesos pesados do Progressive: Derek Howell e Peter Martin. Sob o alias Pinkbox Special, eles trazem a faixa Simple, que como o próprio nome sugere tem uma estrutura bem restrita, uma base percursiva e uma pequena melodia. Um belo exemplo de simplicidade.
Temos, então, Mark Otten com seu segundo sucesso, depois do estouro de Mushroom Therapy. A faixa Tranquility também aparece aqui em remix de Markus Schulz, e disputa pau a pau com o Satellite o posto de highlight do album. E o sample vocal "The eagle has landed" contribui imensamente para a atmosfera espacial da música, como que tirada da trilha sonora de um filme de Stanley Kubric.
Morning Star, de San Mehat é uma tremenda bola fora de Markus Schulz em termos de escolha de faixas. Sem graça e meio arrastada, apesar da melodia um pouco interessante.
Depois, temos uma faixa que é colaboração de Robert Nickson e Perry O'Neil. Usando o alias Mind, eles expressam toda sua veia progressiva numa faixa com que traz uma linha percursiva bem distinta e pouco comum no Trance.
Na antipenúltima faixa do CD1, temos o encontro de Markus com outro grande nome do Trance: Laurent Véronnez (Airwave). A faixa Lady Blue é belíssima, mas talvez um pouco lenta demais pra esse ponto do disco. Acredito que estaria bem melhor no início, talvez fazendo companhia a Numb ou a Satellite.
A próxima faixa é apenas a segunda faixa vocal do CD1 e conta com o talento de Julie Harrington para falar de amor e dedicação: By Your Side. O remix escolhido é o de Sonorous, presente na re-edição alemã pelos sêlo Euphonic. Bastante melódica e empolgante, é uma ótima faixa para fechar um set.
Por fim, para concluir o CD1, temos o single de estréia de outra jovem promessa do Progressive, Elevation.
Com uma ajudinha de Markus, Clear Blue tornou-se um dos sucessos de 2004 e aparece aqui na versão com vocais de Justine Suissa, também conhecida como Somewhere.
Muitos dizem que o vocais estragaram a música original. Eu, como 1o. não conhecia a versão instrumental e 2o. sou muito parcial quanto a Justine Suissa, achei que o resultado ficou muito bom. Talvez a outro seja um pouco longa demais...
Vamos então ao CD2!
A faixa de abetura é a manjadíssima Under The Sun do Whirlpool. Nunca fui muito fã dessa música, mas confesso que o remix do próprio conseguiu torná-la um pouco mais interessante e aquela "famosa" melodia de guitarra parece menos irritante aqui.
Até então, Markus não era um produtor muito dado a parcerias em seus remixes e produções. Mas sabemos que isso mudou radicalmente dado o numero de participações especial em seu primeiro "artist album" Without You Near.
Na segunda faixa do CD2, temos sua parceria com Austin Leeds no remix de Fusing Love, que, por sua vez, é uma parceria de Austin com Kobbe.
Se Asutin atualmente se voltou para o house, electro e suas derivações, não dá pra ignorar algumas grandes contribuições suas para o Progressive Trance. Fusing Love é definitivamente uma delas. Calma sem ser chata e uma melodia que dá alguns pontos como uplifting.
Thomas Penton e sua Dominica são um pouco mais energéticos, mas ainda mantêm bem o climão Progressive. Esta é uma boa faixa de meio se album.
Com Jataka do Junk Science, os bpms aumentam mais um pouquinho, mas a faixa não chega exatamente a empolgar. De novo, é uma boa faixa "filler", ou seja, não é grandiosa, mas serve como bom recheio de bolo.
Temos, então, uma das grandes idiossincrasias da música eletrônica atual: Özgür Can. Um produtor famoso e festejado, que diz não ouvir muito música eletrônica quando não está produzindo no estúdio, o que parece um tremendo contra-senso até pela variadade de influências e misturas em suas músicas. Bem.... vai entender!?
Sua contribuição aqui é a faixa Sometimes, particularmente sombria e não muito energética, mas com um toque hipnótico bem forte. É daquele tipo de música que você dança sem perceber muito o que está fazendo. A meu ver, não é dos melhores trabalhos como Irony e Connected, mas ainda assim não compromete o disco.
A bela (sem querer sem engraçadinho) Beautiful Things aparece aqui num remix exclusivo do próprio Markus. É um trabalho interessante, mas não é dos melhores, porque apesar de ser bem percursiva, a produção não casa perfeitamente com os vocais. Não que seja um problema de uma ou de outro. Na verdade, é um daqueles exemplos de faixa que daria muito certo como instrumental ou dub.
Outro produtor que passeia com desenvoltura entre o Trance e o House, Luke Chable remixa aqui uma faixa da dupla nipônica Matsumoto e Yoshi. Dreamer é ótima faixa, que traz aquele gostinho étnico sem se identificar exatamente com essa ou aquela cultura. Poderia ser japonesa, indiana ou mesmo africana, e funcionaria muito bem! O break é literalmente uma quebra na faixa, oferencendo um tema melódico mais tradicional do Trance, que depois dá mais uma vez lugar aos elementos étnicos.
Poderia muito bem ser o "highlight" do CD2, não fosse pela presença aqui de uma faixa espetacular.
Temos novamente a presença de uma das faixas mais famosas de 2004. As The Rush Comes poderia muito bem ser intitulada "a música de 2004", ainda que muitos discordem, dado seu sucesso e quase onipresença nos albuns e sets.
Aqui, um remix de Perry O'Neil que teve lançamento comercial muito restrito. O vinyl com as versões vocal e instrumental de seu remix é algo muito raro de se ver. Não guarda nada da produção original de Gabriel & Dresden e, como trata-se de uma vesão puramente instrumental, poderia receber qualquer nome. A ausência da voz de Jes Brieden causa certa estranheza inicial, mas a qualidade do remix supera isso rapidamente. Na verdade, ela chega até a funcionar melhor que a versão vocal do remix.
Como antepenúltima faixa do disco, vemos a música que é, na minha modesta opinião, a melhor de Coldharbour Sessions 2004: Perfect Wave do projeto Anthanasia de Peter Martin. Uma tremenda faixa melódica que tem um quê das produções antigas de Vangelis ou Jean-Michel Jarre, com um sample vocal vez ou outra repete "perfect wave". Como se diz por aí: "totalmente viajante!".
Pra concluir o CD2, antes do outro, temos outra colaboração de Markus no remix: o canadense Peter McCowan, também conhecido como Alucard.
Remixando Autumn do inglês George Hales, eles alcançam uma produção quase cinematrográfica, no sentido que você chega a imaginar as cenas para as quais essa música seria a trilha sonora perfeita. Um escolha acertada para fechar Coldharbour Sessions 2004.
Se não é um album grandioso, Coldharbour Sessions 2004 é pelo menos gostoso de ouvir, principalmente nquelas tardes preguiçosas de domingo, uma ótima escolha pra relaxar e fazer "aquele" chillout.
Acho que seja um album que reflete bem o som de Markus Schulz naquela época, o verdadeiro Coldharbour sound.
enviada por blueboybr
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