Infinite Euphoria


Perfil




Blig Amigos

Arquivos




04/11/2006 11:06

Creamfields 2004 – Mais outra nova fênix?!




Essa semana, o álbum que eu redescobri é justamente aquele que recolocou Oakenfold nos trilhos do Trance.
Depois de alguns anos remixando nomes da música pop e tocando sets que deixavam a desejar, se comparados com sua fase áurea (1997-2000), Paul lançou esse álbum em 2004 inspirado pelo festival Creamfields.
É... esse djmix não é gravado ao vivo, ao contrário do que o nome possa sugerir. Esse fato, no entanto, não abala as qualidades do álbum, que por sinal não são poucas.

O CD1 inicia-se com um clássico revisitado. Matt Darey “atualizou” em 2004 a faixa Point Zero, lançada sob o alias Li Kwan. Uma ótima escolha pra começar o set com o pé direito, ao som de um produção caprichada e a inconfundível voz de Cate Cameron.
Ao contrário de outros sets, em que as transições de uma música para outra chegavam a durar mais de um minuto (p. ex., Perfecto Presents Ibiza e Perfecto Presents Another World), aqui Paul optou por transições curtas e precisas, não ultrapassando geralmente os 30 seg.
A segunda faixa é I Found You, do Interstate, outro sucesso do biênio 2004/2005, que visitou as pick-ups de Armin, Markus Schulz, DJ Shah e muitos outros.
Aqui em sua versão original, I Found You faz, com a sensual voz de Colleen Kelly, um contraponto e um complemento ao clima totalmente etéreo de Point Zero.

Pode-se até achar que o DJ iria fazer um set essentialmente vocal, tomando como exemplo as duas primeiras faixas. Mas Oakey mostra que está realmente em forma e que não se esqueceu do princípio básico que fez o sucesso de tantos outros álbuns: misturar faixas e estilos.
Assim, na terceira faixa do CD, Paul manda um uma música aparentemente desconhecida, produção de uma dupla também pouco conhecida. First Sight, de Duran & Aytek é extremamente agradável e tem uma melodia gostosa de assobiar.

A faixa seguinte segura um pouco o pique do ouvinte: Wadi, conta com a voz exuberante de Stephanie Vezina e a produção da dupla Sultan & The Greek. A faixa não é, nem de longe, ruim. Mas talvez seja um pouco lenta para esse ponto do CD, é o que se pode imaginar a princípio.
Essa impressão, no entanto, se desfaz rapidamente porque 1o. o trecho usado não é muito longo, e 2o. ao ouvir a faixa nro 5, entende-se que Wadi é uma ótima precursora para a música posterior, uma das faixas do ano de 2004: Clear Blue, colaboração de Markus Schulz e do novato Elevation.
Arrisco-me a dizer que é uma das mais belas faixas do Trance já produzidas.

Vemos, em seguida, o que talvez seja a maior surpresa desse álbum, o remix do próprio Oakenfold para Como Tu do colombiano Carlos Vives. Alternando o Trance e o Progressive House, Oakenfold produz um remix épico que não resvala para o “queijo”. Usando uma melodia que se assemelha a piano e uma linha de violão acústico, que dão o tom baleárico da produção, o DJ conseguiu algo que eu não via acontecer desde 2000, quando ele remixou What It Feels Like For A Girl: fazer um tremendo gol de placa.
Ele ainda se dá o prazer de incluir a versão vocal de Como Tu, que na verdade conta apenas com a frase “Tu, mi vida intera”.

Paul manda então uma faixa de um dos expoentes do Trance: o grupo Tilt, novamente um trio depois da saída de John Graham (Quivver, irmão de Max) e subsequente entrada de Andy Moor. Twelve, em sua versão original, é bastante energética, mas perde bastante em graça, se comparada, p. ex. com o remix do Dousk. Não brilha mas também não compromete o set.

Temos outra faixa vocal, dessa vez com a presença sempre bem-vinda de Jes Brieden. Para os que não sabem, Jes ganhou destaque justamente com a sua primeira colaboração com o D:Fuse, na faixa Everything With You, de 2003.
Living The Dream também fez parte do primeiro album de D:Fuse, junto com Everything, e apesar de não aparecer aqui no remix de Matthew Dekay, mostra-se uma daquelas faixas que conquista o ouvinte pouco a pouco.

O mesmo pode-se dizer de Space Manoeuvres de John Graham em seu alias Quivver. Estranhamente, apesar de ter também o alias de Space Manoeuvres, John optou por lançar Space Manoeuvres (a faixa) como Quivver. E isso fez diferença, já que se trata da mesma pessoa por trás de vários nomes?
Bem, a meu ver, sim, fez uma boa diferença, já que Space Manoeuvres é bem mais interessante (pra não dizer legal) do que Quadrant Four, lançada pelo SM também em 2004, mas alguns meses depois.

Fenômeno semelhante aconteceu com o Tilt, cuja The World Doesn’t Know segue Space Manoeuvres, e é bem melhor que Twelve, lançada como segundo single do álbum Explorer.
A faixa forma uma dobradinha muito boa com Space Manoeuvres e prepara o ouvinte para a conclusão do CD1 de Creamfields 2004. A escolhida para tal tarefa é outra das músicas onipresentes de 2004, mas aqui num remix não muito ouvido na época.
Jump Next Train certamente foi uma das músicas mais executadas em 2004, quase que exclusivamente em sua absurdamente bela versão original.
Aqui, Paul optou por usar o remix do Probspot, que nesse caso adotou uma abordagem muito parecida com a de Andy Moor ao remix Transatlantic de Zamora e Damian DP. Na verdade, o remix ficou mais com cara de produção do Andy do que do Probspot.
Mas isso não necessariamente significa um coisa ruim. Na verdade, acho que foi a escolha mais certa, pois esta versão complementa muito bem as outras faixas.

Vamos então para o CD2, que começa com uma ótima faixa de Suzy Solar, o breakbeat Ocean Of Love. Com uma produção na mesma linha uplifting breaks de Hybrid, Suzy apresenta uma faixa energética, melódica e épica, que se encaixa bem em qualquer set de Trance. Um ótima surpresa pra começar o segundo CD.

A faixa 2 continua com outro break, nesse caso a colaboração de Luke Chable e NuBreed One Day. Menos épica e mais sútil, a faixa apresenta uma letra no estilo indie rock com vocal masculino de um dos próprios caras do NuBreed.
Oakenfold mostra que ainda tem de sobra aquele talento de mesclar faixar e ritmos diferentes para alcançar um resultado mais que inusitado.

A faixa seguinte é outra gema obscura e surpreendente: Nice Gyus Finish Last, da dupla Pinkbox Special, que nada mais é do que a colaboração de Pete Martin (Anthanasia) com Derek Howell. Lançada num 12 polegadas pelo Electronic Elements, ela foi o b side de Simple, que fez parte do Coldharbour Sessions 2004.

Seguindo a linha de faixas underground, Paul manda Cages do grupo indie Girl Nobody, uma faixa com um vocal indecifrável, extremamente cativante e sedutora, para logo depois atacar com um clássico do Trance, Scatterbomb do The Sneaker.
Não que eu seja contra a mistura de faixas recentes com outras antigas. Aliás, acho que dos DJs que se propõem a fazer esse estilo, Oakey é um dos que o faz da melhor forma.
Só acho que Scatterbomb não combina muito com o restante do set, ficando deslocada e, o que é pior, soando datada perto das outras faixas do CD.

A sexta faixa do CD é a maravilhosa Perfect Wave, do produtor Pete Martin com o alias Anthanasia. Sem dúvida, uma das grandes faixas de 2004, presente em vários sets e álbuns como A State Of Trance 2004, Coldharbour Sessions 2004.

O DJ manda logo em seguida uma produção própria, Time Of Your Life, no remix do húngaro Shane 54, que soa estranha vindo depois de . Muitos criticaram sua inclusão no CD e há de se dizer que ela mais compromete do que soma no resultado final.

De problema semelhante ao de Scatterbomb sofre a faixa People Want To Be Needed do The Auranaut, outro clássico do Trance também de 1999. Ela soa fora de lugar e “velha”.

A faixa seguinte é da dupla Stel & Good Newz: Particle, uma faixa que não é brilhante mas também não atrapalha muito a fluência do CD.
Temos então outra inclusão polêmica, o remix 2004 do próprio Oakey para Beautiful Day do U2. A indefectível linha de guitarra está lá e só ela deveria ser suficiente para identificar a faixa. O grande problema do remix, a meu ver, é justamente incluir os vocais de Bono em vez de fazer um dub ou um instrumental. O que poderia ter ser grandioso, não há como negar, acaba dando um cara de pizza quatro queijos ao CD.

Outro clássico da música eletrônica ganha releitura 2004, na 11a. faixa do CD. Lizard de Mauro Picotto vem num remix do próprio Oakey e serve para conduzir Creamfields para um final apoteótico na faixa final a cargo de John ‘00’ Fleming.
Mais conhecido como um dos divulgadores do Psy Trance na Europa, J00F mostra que também sabe fazer Trance de qualidade e manda um versão dub, ou melhor “Tranced Out”, de sua I’m Not Fooled.
Outra boa faixa de 2004 que passou meio despercebida, I’m Not Fooled aparece aqui despida da maior parte da letra original (com exceção da frase que lhe dá nome) mas com vocais suficientemente arrepiantes para dar aquele frio na espinha e fechar em grande estilo um CD2 que começou bem mas que deu umas derrapadas no meio do caminho e soa irregular ao final.

Creamfields é um album bom, talvez uma nota 7 ou 7,5 no geral, mas que mostra em cada segundo de música o talento de um DJ que estará para sempre na história da música eletrônica do final do sec XX.
É óbvio que ele foi capaz de perpetrar algumas barbaridades, principalmente nos últimos anos, ninguém pode negar.
Só que não há como simplesmente descartar TUDO por causa de alguns erros.

Se não é o melhor de Paul Oakenfold, Creamfields pelo menos mostra um bom retrato do trabalho desse grande DJ e produtor.

enviada por blueboybr